PROGRAMAÇÃO | JANEIRO 2018

Em janeiro a OEP convida para o II Banquete Experimental, abrindo os trabalhos da oficina em 2018.

Onde > Imperator, Méier, Rua Dias da Cruz, 170 – Sala de Exposições, 2º andar
Quando > Dia 24/01, quarta-feira | 14h00 – 20h00

A gente segue tentando aquela conversinha fiada, comendo pelas beiradas, com outros corpos, com outros circuitos, com outros formatos, aquele inferninho que são os outros, tudo no Méier, que é aquela coisa inacreditável. Arte, convivência, campos e frentes de ação, mastigar lentamente o verão.

Programação do dia:

15h-17h > Mesa 1: Outros corpos
Ana Carolina Assis Carolina Assis (OEP)
Marilia Rothier (PUC-Rio)
Frederico Coelho (PUC-Rio)

17h-17h30 > Banquete e Intervalo

17h40-18h > Exibição de vídeopoema: Frederico Klumb

18h-20h > Mesa 2: Outros circuitos
Eduardo Coelho (UFRJ)
Lucas van Hombeeck (OEP)
Taís Bravo (Mulheres que escrevem)

***

Mediação: Heyk Pimenta, Julya Tavares, Luiz Guilherme Barbosa e Rafael Zacca.
Banquete: Ana Carolina Assis

 

 

I PRÊMIO BAIXO MÉIER DE POESIA | VENCEDORES – Guilherme Zarvos

Guilherme Zarvos é poeta e produtor cultural, co-fundador do CEP 20.000, publicou Beijo na poeiraNacos de carneMais tragédia burguesaMorrer e zombar, Lições educacionais para Tintum, 60 70, e é

Cágado de ouro
Prêmio pelo conjunto da existência poética: trajetória, obra, suingue, peito aberto e pernas pra que te quero

e também

Nos braços da massa

Prêmio surpresa para poetas que são aclamados pelo júri popular no dia da cerimônia

 

1. Guilherme Zarvos, você faturou o prêmio “Cágado de ouro”, pelo conjunto da existência poética, cujo troféu é uma coroa. Você já havia se imaginado com uma coroa? Se sim, em que situação? Senão, qual foi a sensação de ser coroado?

GZ: Receber os prêmios, na Oficina Experimental, em 2017, no Imperator – e, na sequência, charlar no Baixo Méier –, prêmios entregues por um conjunto de poetas que sempre estão juntos, avançando o Rio, foi delicioso. Sem coroa, mas com o cágado, que virou cágada, como gostei de abraçar a que me é Edith.

2. Se pudesse voltar no tempo e dar conselhos ao jovem Guilherme do fim dos anos 1970, que conselho daria para evitar que ele ganhasse um prêmio como esse?

GZ: Que é preciso agradecer a todos que vão formando uma geração Forte e Alegre. E dizer, revisando os anos 1970, que é a necessidade de escrever poesia que move a poesia, e que é a necessidade de estarmos juntos que move a verdadeira biopolítica — amar e ter muita/os filha/os, mesmo que não biológica/os.

3. Guilherme, o prêmio sempre oferece o duplo de captura e exclusão ou há linhas de fuga?

GZ: Premiem preferencialmente sem concorrentes. São aqueles que lhes tocam, os únicos do ano, que fizeram vcs moverem-se pela Cidade, que parecem seus pares. E premiem-se, pois vcs estão fazendo poesia de primeira e criarão Escola. Como viver, como amar, como escrever.

I PRÊMIO BAIXO MÉIER DE POESIA | VENCEDORES – Thadeu Santos

Thadeu C Santos é artista da Kza1, tem 30 anos e é

Maior poeta de todos os tempos
Prêmio para o poeta mais alto presente no recinto. Critério: fita métrica.

 

1. Thadeu, você acha que é o maior poeta de todos os tempos? Mas e todo aquele papo de literatura menor?

TS: Sim! Se teve uma coisa que a indicação me fez pensar foi que uma nomeação possível para Maior poeta de todo os tempos é isso mesmo, algo que alguém diz que um artista é. Ao que temos percebido, já basta. E eu discordo de quem acha que seria eu que deveria começar a me preocupar em recusar 1 cágado de ouro, a gente sabe muito bem quais são os palcos do mercado e quais são os palcos da nuvem cigana.  Alcançar esse status nos 30 anos vai me livrar de muita horas de lobby na literatura, ou seja, o I PBMP está me oferecendo mais tempo para fazer poesia, me oferecendo a oportunidade de me concentrar, a partir de agora, de mandar a real que é curtir 1 barato no fim do ocidente, sem maiores preocupações de superação. Sobre literatura menor: nossa arte é postar.

2. Você acha que a poesia tem que acabar ou estamos lendo mal as suas postagens?

TS: Uma das melhores coisas que eu pus na gaveta 2017/socorro foi: na nossa arte é postar, tiramos selfie em plena crise do verso. Já está na hora de assumir que a essa altura do campeonato não vou conseguir fazer livros melhores que o que rola na timeline, ou seja, é melhor add mesmo e se o post for bom dar um curtir, mandar pra um amigo, lançar o post nos zines do role, numa antologia do role, nas performances do role.

3. Você é muito fofo. Sabia?

TS: Gente, minha fofura é de tanta timidez diante de toda essa sensualidade. Obrigado, OEP :) Só os envolvido, crush integridade, visualiza e responde <3

I PRÊMIO BAIXO MÉIER DE POESIA | VENCEDORES – Cozinha Experimental

Editora Cozinha Experimental publica principalmente poesia em livros e plaquetes, além de projetos como a coleção Kraft e a coleção Postal (em parceria com a Azougue), sempre com processos artesanais, e é

Prazer total, enriquecimento zero
Prêmio para editoras miúdas, corajosas e que apostam no autoral e em projetos editoriais ousados e que financeiramente estão sempre no fio da navalha

 

1. Cozinha Experimental, o que é publicar poesia apostando totalmente no tesão hoje? O projeto é pelo menos sustentável?

CE: É ser triplamente estúpido. Um, porque não precisa ser um gênio para saber que investir em livro por aqui é suicídio. Dois, porque não são livros quaisquer: estamos falando de livros de poesia. E três: porque Tesão é algo para ser degustado por quem tem onde cair morto (ou melhor, vivo).

2. Por que apostar nas edições artesanais? A que se deve esse boom na edição pequena de poesia hoje?

CE: Por quê? Não encontramos nenhum lugar melhor para enfiar as mãos. Quanto ao boom, o fato é que pega mal escrever um livro grande, destes que param de pé sozinhos, já que ninguém vai ler além da página 13.

3. Quais são os planos pra Cozinha em 2018? Quais os próximos projetos que vão falir a editora?

CE: O plano é ter uma morte rápida. Para isso, estamos investindo em projetos que custam a nossa casa, as nossas bicicletas e, provavelmente, o nosso resto de dignidade (se ainda houver).

http://editoracozinhaexperimental.blogspot.com.br/

https://www.facebook.com/editora.cozinhaexperimental/

I PRÊMIO BAIXO MÉIER DE POESIA | VENCEDORES – Ismar Tirelli Neto

Ismar Tirelli Neto publicou Ramerrão e Os ilhados (ampos pela 7Letras), tem postagens maravilhosas e é

iPoeta
Prêmio para poetas que performam online nas redes sociais e que enchem nossas vidas de interessância e brincadeira

 

1. Ismar, agora que você foi galardoado com o prêmio iPoeta, conta pra gente como você roteiriza os seus posts no seu Facebook?

ITN: Sou apenas uma vítima dos acontecimentos. Pode-se mesmo dizer que nunca na vida contei uma piada. É tudo verdade. Tenho vocação para ser infernizado, nasci com uma espécie de luminoso na testa que pisca: Sou pitoresco, me aborreça. De modo que não há bem um roteiro, apenas uma transcrição fidedigna dos eventos da vidinha, que são, no mais dos casos, exasperantes ou desorientadores.

2. Tinha gente querendo publicar as coisas que você posta na rede. O prêmio veio dizer: o povo clama por esse livro. Você já o está organizando?

ITN: Acho que certas coisas nesta vida devem passar incólumes pelo pântano da literatura, e estas postagens são uma delas. Algo deve permanecer puro nesta vida.

3. No discurso de agradecimento do prêmio, você disse já estar na hora de sair da internet e ir para a prosa. Que história é essa de Ismar contista?

ITN: Pretendo começar a circular publicamente poemas disfarçados de narrativas. Me parece que as pessoas gostam mais de prosa, então pretendo seduzi-las por este viés. Não sei se meus leitores perceberão a diferença. Não sei se tenho leitores. Mas o plano é basicamente confundir as pessoas, enganá-las, tomar partido da perplexidade causada. No devido momento, cairá a máscara de Groucho Marx comprada na Uruguaiana por 20 merréis, e o texto se revelará aquilo que de fato é: um poema, sarnento e sentimental, como todos. Os bons, pelo menos.

I PRÊMIO BAIXO MÉIER DE POESIA | VENCEDORES – Ítalo Diblasi

Ítalo Diblasi publicou “O limite da navalha” (Garupa), e é

Dama do lotação
Prêmio para poetas que tematizam o caos, o baixio, a noite preta, o bicho pegando e a viração

 

1.  Ítalo, quem são as Damas do Lotação da história da poesia brasileira, pra você?

ID: Entre as muitas Damas destacaria Murilo Mendes (o catolicismo mais desviado de que se tem notícias do lado de cá), Roberto Piva, Hilda Hilst, Stela do Patrocínio, Guilherme Zarvos. Isso para não falar dos nossos contemporâneos – uma verdadeira fauna de loucos e santos, como vimos na indicação do Baixo Méier.

2. A poesia é sempre maldita ou isso vem de um esforço de certxs poetas?

ID: Capciosa essa pergunta, mas vou arriscar que toda a poesia carrega lascas desse elemento maldito (veja o medo de Platão, o primeiro Censor). Ainda assim, entendo por poeta maldito aquele que deliberadamente coloca em prática e enuncia um modo de estar no mundo que se opõe às normas vigentes (de comportamento, hábitos, conceitos e escrita) e nesse sentido seria este “esforço” de que falam. Uma afirmação estética. Em outras palavras, há aqueles para quem a poesia é uma espécie de segredinho sujo, que abre um buraco no peito do sujeito e faz emergir um campo onde o pensamento pode trabalhar.

3. E o seu próximo livro? Tá nascendo? Quer contar pra gente um pouquinho que trem é esse?

ID: Ele vem aí, mas não tenho pressa. Alguns poemas já soltei em revistas durante 2017. A ideia é construir o cenário de um apocalipse cotidiano, uma luta perdida e doce entre eros e tânatos. O título que tenho é “Paisagem para um dilúvio”. Depois disso só escreverei poemas de amor.

I PRÊMIO BAIXO MÉIER DE POESIA | VENCEDORES – Adelaide Ivánova

Adelaide Ivánova publicou “O martelo” (Garupa, no Brasil, e Douda Correria, em Portugal), “Polaroides” (Cesárea), edita o zine MAIS PORNÔ PFVR!, e é

Piriguetismo de guerrilha (Troféu Zé Celso)
Prêmio para poetas que tematizam o tesão, o corpo do prazer e safadeza que o povo gosta

 

1. Adelaide, o nome desse prêmio veio de um poema seu. Conta pra gente, o que é fazer piriguetismo de guerrilha?

AI: Acho que piriguetismo de guerrilha é o braço armado da proposição que Audre Lorde faz para o uso do erótico. Antes, explico o que quero dizer com “arma”: podem ser protestos, hashtags, grupos de leitura, grupos de consciousness raising, boicotes, intervenções, ocupações — enfim qualquer ação organizada e COLETIVA, como a que Maria Felipa* organizou.

Em Sister outsider, no ensaio “Uses of the erotic: erotic as power”, ela diz: “The erotic is a resource within each of us that lies in a deeply female and spiritual plane, firmly rooted in the power of our unexpressed or unrecognized feeling. In order to perpetuate itself, every oppression must corrupt or distort those various sources of power within the culture of the op- pressed that can provide energy for change. For women, this has meant a suppression of the erotic as a considered source of power and information within our lives.”
Reconsiderar o erótico feminino como sagrado, mas também como poder, e entender que não é por acaso que não estamos autorizadas a ativá-lo: isso é o braço teórico do piriguetismo de guerrilha. O braço “armado” é aquele que, organizado, vai pro espaço público e faz demandas.

2. E poesia e política, transam? Por quê?

AI: Transam muito. Tipo os poetas da era estalinista. A poesia era fundamental não somente pra ajudar a compreensão dos tempos, mas para mobilizar. E, depois, com o tempo, para contar essa historia. Contá-la, vale dizer, pelo testemunho do oprimido real (viva Mandelstamm) e não pela invenção de uma retórica de opressão, que é o que hollywood fez/faz. Por exemplo: essa confusão entre achar que estalinismo e o projeto marxista são a mesma coisa, vem muito da narrativa safada de hollywood.

A poesia, por ser de todas as artes a mais próxima do pobre-tariado, tem o maior potencial de transar bastante com a política. Enquanto em outras vertentes artísticas a pessoa precisa de uma parafernalha da porra pra produzir, na poesia os meios de produção são os mais simples possíveis (se a sujeita tiver boa memória e um gogó bom, já basta — o slam das mina, os repentistas tão aí pra provar. O próprio Mandelstamm não podia escrever os poema dele por causa da polícia, ficava tudo decorado na cabeça da mulher dele) fazendo dela uma atividade democrática, acessível. Acho que só quem não transa é quem acha que poesia é poesia e política é política.

3. E poesia e tesão, fazem assembleia?

AI:  Mais do que assembleia, poesia e tesão fazem a revolução. Agora, se o poeta for isentão nem catuaba dá jeito ;)

 

–x–

 

*BÔNUS: o poema de Adeilaide que deu nome ao prêmio pode ser lido na revista Modo de Usar: http://revistamododeusar.blogspot.com.br/2016/12/serie-as-enterradas-vivas-adelaide.html

I PRÊMIO BAIXO MÉIER DE POESIA| VENCEDORES – Josely Vianna Baptista

Josely Vianna Baptista é poeta e tradutora, publicou ArCorpografiaA concha das mil coisas maravilhosas do velho caramujo, Roça barroca, e é

Bonytos de corpo
Prêmio para poetas que têm a forma, os procedimentos e as máquinas do poema como parte fundamental de suas obras

 

1. Josely, você tem aqueles primeiros poemas “aerados”; também já foi identificada como poeta neobarroca; e, em publicação recente, o Roça barroca, andou buscando a interseção entre as formas da tradução e da poesia. Você acha que a sua poesia tem um projeto que unifica todos os outros?

JVB: Sim. Além do exercício da poesia, o trabalho de tradução de peças mitopoéticas ameríndias e de obras literárias hispanoamericanas, que desenvolvo há 30 anos, me mantém próxima de importantes universos culturais iberoameríndios. E minha formação em Literatura Espanhola e Hispano-americana propiciou, também desde o início, um convívio com o Barroco clássico espanhol, presente desde sempre nas diversas sínteses dos “barrocos” latino-americanos. Agora estou pesquisando o barroco ameríndio, e vou retomar a nunca abandonada  aeração dos poemas (que, diga-se de passagem, não tem a ver apenas com poesia visual). Meu trabalho vem sendo construído de olho em contextos culturais plurais e excêntricos, e se insere, nesse sentido, numa “poética mestiça”, como diz Cecília Vicuña em “The Oxford Book of Latin American Poetry”.  Lido livremente com o hibridismo sígnico – aliás, presente em nossa literatura desde o início, tendo comparecido aos banquetes modernistas e à mesa de seus sucessores, e encontrado, também, na própria transposição do barroco europeu (nos séculos XVI e XVII) à realidade tropical. Mas é movida por um impulso “hiper-barroco” multiétnico e pluritemporal que busco os entrecruzamentos do mito, das narrativas verbais e visuais, da memória, das línguas etc. E nessa coexistência de contradições que conformam a cultura brasileira, acho que a tela rútila das pálpebras e clarões arcaicos podem se conjugar sem fôrmas de estilo que sejam camisas de força ou algo parecido.

2.  Você é também uma tradutora impressionante. Você acha que a tradução é uma “forma” que você experimenta? Nesse sentido, você acha que a Associação Brasileira de Tradutores deveria suingar e fazer um prêmio com esse naipe?

JVB: Toda tradução literária deve ter o cuidado com a “forma” no centro de sua prática, né? Não sei se a Abrates tem ou não algum prêmio para tradutores literários, estou por fora. Mas acho que mesmo as instituições que tradicionalmente já concedem prêmios a tradutores, como a Câmara Brasileira do Livro e a Biblioteca Nacional, deveriam ampliar sua esfera de ação e instituir um programa de bolsas de tradução (principalmente) e de prêmios de “tradução para o português de obras ameríndias” e  de “tradução para línguas ameríndias de obras de autores brasileiros”. Pois ainda que, especialmente desde os anos 90, como diz Betty Mindlin em seu texto sobre “Roça barroca”, “os índios escrevam, sejam escritores e professores bilíngües”, há uma lacuna que seguirá intransponível se não for feito um esforço poético-tradutório decisivo nesse sentido. É preciso construir essa “ponte”, e para isso é importante que haja um suporte adequado de instituições que deveriam prezar pela inclusão, na “literatura brasileira”, das oraturas, das manifestações de tradição oral (e, hoje, também escrita) em línguas ameríndias do Brasil. Acho que esse seria um primeiro passo para efetivar, aos poucos, essa ponte de mão dupla. No caso das oraturas ameríndias, os poetas-tradutores teriam de se aliar aos índios e aos valorosos antropólogos, linguistas e exegetas das culturas autóctones do país, aportando seu empenho e talento poético para que manifestações até hoje praticamente circunscritas ao âmbito etnográfico possam ser conhecidas também como peças de arte verbal. E ainda, com esse gesto inovador, seria interessantíssimo instituir bolsas de criação para estimular os criadores ameríndios a escrever em suas próprias línguas. Uma corriente alterna. Já pensou que maravilha um país com uma literatura/oratura diversamente rica a esse ponto? Quantas são as línguas vivas hoje em dia só no Brasil? E quantas dessas línguas nós, tradutores brasileiros em atividade, conseguimos sequer nomear? Essa é minha proposta para  a Abrates e para os outros órgãos interessados em salvar, do “ossuário do esquecimento” (palavras de Roa Bastos), esses tesouros todos. Torço para que, mesmo num país como o nosso, que se encandeia principalmente com o outro que é seu mesmo (ou seja, a cultura ocidental), ainda seja possível um movimento firme de abertura para as poéticas dos índios brasileiros, e de intercâmbios extensivos também a outras línguas ameríndias de países vizinhos. Bem, desculpe a respostona, mas foi em prol da boa e velha questão da “forma”, das formas ancestrais do Ayvu Rapyta, da  Ilíada, do Popol Vuh, da Odisseia  – enfim, da “madrugada das formas poéticas” onde tudo começou.