PROJETOS | CARAVANA ALMANAQUE 9

por heyk pimenta

uma vez o tom zé falou que na venda do pai dele o único assunto de todos os dias era ética. ficava lá a freguesia falando sobre como as coisas pra fazer tinham que ser feitas. como as coisas feitas tinham que ter sido feitas. o gil também tinha pai com venda. a ética da agricultura, da roupa lavada no rio, de tocar boi, de dar tiro. tiro pro alto é uma, pra frente é outra. tem cara de pequena ética. mas é ética mesmo.
ficar junto é condição pra ser gente. ser gente, por isso, é a coisa mais difícil da vida. o pior é quando é fácil. o tudo certo nada resolvido é um bom jeito de entubar as porcarias. o silêncio é perigoso quando se vive junto. de silêncio pra se fode aí é um pulo. de silêncio pra fica quieto porque eu mandei é um pulico.
harmonia só na gaita, falava o seu messias da funilaria. ética.
conseguimos escrever as coisas pro almanaque. deu certo. tem bastante material. tudo que poderia ser escrito com esse prazo. o livro vai ficar divertido. tem sujeiras luxuosas, não tem só exercícios pra escrever de poesia. tá em diagramação agora. ontem vimos o primeiro piloto. a ideia de ser um livro de mesa não passou. resolvemos por fazer livro de bolso, bolsão. mas bolso. 12x21cm. legal. gosto desse formato por causa da cantadas literárias, que era uma coleção de literatura um pouquinho mais ousada que a brasiliense publicava nos anos 1980. e ah, vai se chamar almanaque rebolado. gosto disso também.
éramos 14. somos 10. os motivos da evasão escolar no Brasil são inúmeros comenta o comentarista genérico na TV. esses dez lá foram. rebolando. vai ter coisa de utilidade pública no livro. se você não quer saber de raios de poema do cacete, tranquilit_, herman_. tem manhas essenciais para um desfile com mais suingue.
fico pensando nessas revistas de literatura B, quem lembrou do termo foi o guilherme, que ficavam pra lá e pra cá lá em casa. seleções reader’s digest. acho que tudo é meio B. acho que o A já era. a vida é B. vida pequena. vida com minúscula como a ana costuma escrever. até peguei isso dela. até o almanaque inteirinho pegou isso dela. demais quando o outro envenena você com uma coisa nada a ver e isso fica ali morando calado e depois passa a ser seu também.
acho que o almanaque é pra isso. espreitar você, entrar por baixo da pele. não servir pra nada. não ter problema não servir pra nada. depois vir igual música que a gente acorda cantando. embalar um tanto o dia. embalar uma leva de ruas dentro do ônibus. a vida é B. a vida é transporte. ah, o zoé tá bem. andou com febre, tá se recuperando. mordendo todo mundo.

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