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A Oficina Experimental de Poesia nasceu em 2011 como um projeto para pagar um calote, pensado por dois poetas que contavam os centavos na estrada de volta saindo de São Paulo para o Rio de Janeiro.

Desde 2011 a Oficina acontece semanalmente sempre gratuita e aberta. Atualmente está instalada do Centro Cultural Municipal João Nogueira, o Imperator. É constituída de encontros em que escritores, pesquisadores, professores, profissionais do meio editorial e o público interessado trocam informações e vivências sobre poesia

Essa é a história da Oficina até agora:


 

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Em março de 2011 os poetas Heyk Pimenta e Marcelo Reis de Mello viajaram para a cidade de São Paulo para a abertura de uma exposição de cartazes chamada Pálpebra. Sem ter um centavo para o custeio da viagem, pegaram dinheiro emprestado da editora Cozinha Experimental, de que são membros até hoje. A exposição trazia uma série de cartazes composta por poemas de 144 caracteres, como no twitter, e composições visuais. Fizeram parte dela o coletivo de artes visuais Overlei, de São Paulo, (Henrique Smith, Victor Meira, Renata Chaveiro, Mel Cerri, Karen Suehiro, Pimpas e Rodrigo Fonseca) e os coletivos literários Cozinha Experimental, do Rio de Janeiro, (Heyk Pimenta e Marcelo Reis de Mello), Poesia Maloqueirista (Berimba de Jesus, Caco Pontes, Giovani Baffô e Tiago Mine) e Córrego, (Gabriel Kolyniak) de São Paulo.

A exposição foi um sucesso de público, mas nada foi vendido. O plano dos dois poetas do Rio de Janeiro era devolver o dinheiro da editora com a venda dos cartazes. Dormiram em hotéis baratos, e conversaram muito sobre a ação dos coletivos de arte nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Vitória. Já na volta ao rio, contando moedas para pagar o pedágio, Heyk e Marcelo tiveram uma ideia: fazer uma oficina de poesia para pagar as contas. Mal sabiam que esse era ainda um plano mais complicado.

Ainda no carro, começaram a construção de um programa pedagógico, e depois da chegada ao Rio, o estudo sistemático de alguns poetas e de ferramentas de escrita. Logo depois, em parceria com alguns sites e amigos, começou a divulgação. Colavam cartazes pela cidade chamando interessados a pagar cem reais mensais pelos encontros semanais para ler, escrever e pensar poesia.

Alguns amigos de interessaram em fazer parte do grupo, como cobrar dos amigos? Outros procuraram os poetas pedindo bolsas de estudo, como cobrar de poetas? O projeto foi um sucesso e um fracasso. Passamos a nos reunir, muitos interessados passaram a participar, mas nenhum sequer pensava em pagar por isso. Assim nasceu a Oficina Experimental de Poesia, um projeto para pagar um calote, que se tornou ele também outro calote. Por fim, a oficina desde o início foi gratuita, e assim se manteve e assim queremos que se mantenha.

A Oficina Experimental de Poesia acontece semanalmente desde 2011, sempre gratuita e aberta, atualmente instalada do Centro Cultural Municipal João Nogueira, o Imperator. Constituída de encontros em que escritores, pesquisadores, professores, profissionais do meio editorial e o público interessado trocam informações e vivências sobre poesia, a cada quarta-feira do mês.

De 2011 até agora, já passaram mais de cem pessoas pelos nossos encontros semanais. Muitos poemas e textos críticos lá escritos foram publicados em revistas virtuais e impressas dentro e fora do Brasil, assim como uma pequena safra de livros, que já circula na cena cultural do país. Lemos livros e recebemos visitas de uma parcela significante dos poetas da atualidade, escritores foram convidados por nós a contar um pouco de sua história e sua relação com as artes. Dentre eles estão os portugueses Gastão Cruz e António Poppe, os cariocas Alberto Pucheu e Pedro Rocha, os paulistas Sergio Cohn e Renato Rezende, a mineira Mariana Botelho e poetas do estado do Rio de Janeiro, como Luis Maffei e Eucanaã Ferraz, dentre outros.

Atualmente o trabalho da oficina vem sendo reconhecido por universidades, editoras, saraus e coletivos artísticos, o que se desdobra em apresentações de nossos poemas, debates e cursos que ministramos nos mais variados territórios. Ao nosso time inicial se uniram agentes culturais como Rafael Zacca, Guilherme Gonçalves, João Gabriel Ascenso, Fernanda Morse, Khalil Andreozi, Carolina Turboli, Simone Vieira, Marcos Nascimento, Heyk Pimenta e Marcelo Reis de Mello.

Nossos primeiros encontros aconteceram na livraria Largo das Letras em Santa Teresa em maio de 2011. A oficina foi concebida em função do vácuo que havia na cidade do Rio de Janeiro no que tange a formação não acadêmica gratuita, continuada e não hierárquica em poesia. A cidade tinha naquele momento e ainda tem muitos saraus: eles são voltados, no entanto, para a apresentação de obras concluídas, não possibilitando, no mais das vezes, o espaço para o diálogo sobre o saber e o fazer em poesia. Foi com o intuito de ler, escrever e analisar poemas, e de entender as dinâmicas dos grupos e escolas literárias e artísticas contemporâneos que a oficina começou suas atividades, voltada principalmente para a produção atual de poesia em língua portuguesa.

Após dois meses passamos a nos encontrar no Centro Cultural Municipal Laurinda Santos Lobo, também do bairro de Santa Teresa, por sua localização central e pelo ótimo acolhimento que recebemos da gestão naquele momento. Posto que todos os integrantes estudavam e/ou trabalhavam sentimos necessidade de ocupar um lugar em que pudéssemos ir até mais tarde com as atividades, coisa que o horário de fechamento do “Laurinda” não permitia. Ainda assim lá permanecemos até abril de 2012. Então a editora Oitoemeio, que fica no bairro do Flamengo, cedeu gentilmente as suas instalações acreditando que dos processos que desenvolvíamos poderiam vir reflexões e mesmo livros interessantes sobre e de poesia.

Apesar da ótima estrutura que nos acolhia, percebemos que quase todos os integrantes do grupo, naquele momento com cerca de 15 pessoas entre universitários, estudantes do ensino médio, editores, pesquisadores, tradutores e poetas, moravam na Zona Norte, entre a Tijuca, a Vila Isabel, o Méier, Sampaio, Cachambi e adjacências. Daí foi um passo para que sondássemos a possibilidade de realizar a oficina no Centro Cultural Municipal João Nogueira, o Imperator, no bairro do Méier, que havia recém retomado suas atividades, agora sob gestão Municipal. Em setembro de 2015, um ano e meio depois do início de novas atividades na casa, passamos a contar com apoio estrutural e custeio das contas básicas.

Passamos a desenvolver as nossas atividades no espaço, sempre no terraço desse Centro Cultural, espécie de jardim suspenso em que nos reunimos a todas as quartas-feiras, entre 19h e 21h30.


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