ANTOLOGIA ISOPORZINHO-ARRASTÃO

Um conhecido jornal golpista amanheceu com a notícia “Guarda Municipal planeja revistar ônibus que vão para orla”. Sabemos quem será revistada: essa gente que, por aqui, na longa noite dos 500 anos, é condenada de antemão como marginal.

Nos anos 1990 ficou famosa a tal da “onda de arrastões”, que teriam “justificado” uma série de medidas “preventivas” (leia-se: proibitivas) para gentrificar a Zona Sul. Sabemos também que não é só o governo: toda uma aristocracia mesquinha tem lutado para manter a população favelada longe das praias e dos bairros ricos.

A OEP saúda a Antologia Isoporzinho-Arrastão, os rolezinhos, as práticas de justa ocupação do espaço por todo e qualquer cidadão, e repudia, ontem como hoje, as medidas civil-militares que querem criar cordões de isolamento entre as pessoas.

http://isoporzinho-arrastao.tumblr.com/
http://isoporzinho-arrastao.tumblr.com/
http://isoporzinho-arrastao.tumblr.com/

‘Um espectro ronda a praia de Ipanema, o espectro do ARRASTÃO! (…) NÃO É SÓ PELO BRONZEADO! MANTENHA A AREIA, A MAROLA, A BRISA E AS MATRACAS LIVRES!!!’

PROGRAMAÇÃO | JANEIRO 2017

Onde > Imperator, Méier, Rua Dias da Cruz, 170 – Sala de Exposições, 2º andar
Quando > Quartas-feiras | 19h – 21h30

Roda de leitura pro Verão

A Oficina Experimental de Poesia propõe uma roda de leitura de poemas e textos poéticos em torno de temas do verão. Haverá material disponibilizado pelos mediadores durante o encontro. Entrada franca.

11/01 > Subúrbio
18/01 > Calor
25/01 > Lotação

PROJETOS | CARAVANA ALMANAQUE 9

por heyk pimenta

uma vez o tom zé falou que na venda do pai dele o único assunto de todos os dias era ética. ficava lá a freguesia falando sobre como as coisas pra fazer tinham que ser feitas. como as coisas feitas tinham que ter sido feitas. o gil também tinha pai com venda. a ética da agricultura, da roupa lavada no rio, de tocar boi, de dar tiro. tiro pro alto é uma, pra frente é outra. tem cara de pequena ética. mas é ética mesmo.
ficar junto é condição pra ser gente. ser gente, por isso, é a coisa mais difícil da vida. o pior é quando é fácil. o tudo certo nada resolvido é um bom jeito de entubar as porcarias. (mais…)

PEQUENA CRÍTICA | AS VÍSCERAS DELICADAS

Texto publicado originalmente na revista portuguesa Relâmpago, nº33.
Por Marcelo Reis de Mello

 

Delicadeza é uma palavra ambígua, difícil. Poderíamos usá-la para denunciar o lirismo comedido e afetado, como fez João Cabral em sua Antiode: “Delicado, evitava / o estrume do poema, / seu caule, seu ovário, suas intestinações”. E muito antes do pernambucano, o simbolista francês Arthur Rimbaud já tinha escrito: “Por delicadeza / Perdi minha vida”. Mas também há quem enxergue na delicadeza uma potência positiva e uma sutil resistência à brutalidade do mundo. Além disso, a palavra sempre foi usada para enfatizar a perícia técnica e a sensibilidade invulgar dos poetas, não sendo difícil ler por aí que os versos de Drummond ou Bandeira – para ficarmos apenas com os exemplos canônicos – são de uma delicadeza extraordinária.

Tudo isso pra dizer que o livro Sentimental – o sexto do poeta carioca Eucanaã Ferraz[1] – é certamente um livro delicado. Mas não é doce. Nem limpinho. Seu coração é uma víscera empedrada: “Quase só músculo a carne dura. / É preciso morder com força”. Dentes fortes sim, sem dúvida, mas não para despedaçar ou despoetizar a poesia, como reivindicam alguns entre os seus pares. Ferraz não é um poeta barulhento, de punho cerrado e boca espumante. Mas nos melhores momentos a sua poesia é vigorosa, é radical. Quando o livro Desassombro foi lançado, em 2002, Francisco Bosco afirmou acertadamente que Eucanaã Ferraz trabalha na “radicalidade dos desextremos”. E é isso que o leitor encontra em todos os seus livros, inclusive no último, onde se recombinam os temas e as formas cristalizadas da tradição literária, para deslindar suas brechas, os interstícios, as margens dentro das margens.

(mais…)

PROGRAMAÇÃO | NOVEMBRO 2016

Onde > Imperator, Méier, Rua Dias da Cruz, 170 – Sala de Exposições, 2º andar
Quando > Quartas-feiras | 19h – 21h30

02/11 > Mostra de Processos com Heyk Pimenta
09/11 > Traga seu poema para a lanternagem | Leitura e análise coletivas dos poemas de quem chegar
16/11 > “Versos desfigurado” – oficina de criação literária com Marcelo Reis de Mello
23/11 > Leitura e debate sobre o livro Miolos frescos, de Jeanne Callegari (Ed. Patuá, 2015)
30/11 > Conversa com a escritora Jeanne Callegari | Mediação Marcos Nascimento

PROJETOS | CARAVANA ALMANAQUE 8

por Guilherme Gonçalves

A essa altura você talvez saiba, a oficina experimental está bolando um almanaque, com exercícios de escrita, horóscopo, crônica, previsões, poemas. Almanaque vem da língua árabe, como açúcar, açafrão, azul, como a poesia. Diferente das línguas ocidentais, que são traduções, o árabe é um poema da boca de deus. Almanaque diz acampamento dos que cortam o deserto e também chão onde o camelo se ajoelha. A essa altura você sabe, o deserto cresce e todos os dias matam com nossas mãos. (mais…)

PROJETOS | CARAVANA ALAMANAQUE 7

por Rafael Zacca

Parece que sim. A praia de Atalaia já viu tubarões. Ontem eu disse pro Rodrigo que não, mas tem até vídeo no youtube. Se tem vídeo no youtube deve ser verdade, é por isso que chamam de vídeo. Há dois anos um grupo de pescadores arranjou um tubarão-tigre de quase 4 metros, capturado a uns 30km da praia de Atalaia. Na foto, têm o tubarão em cima de um jipe, parece, e abrem a sua boca, sorrindo, como se o tubarão sorrisse também, mas não sei se os tubarões caçam para sorrir. Um dos moços não sorri. Ostenta um bigode, um boné e um joinha.

Parece que sim. O Almanaque vai sair. A Ana tava preocupada, e a Duda desesperou quando a Izabela Pucu, diretora do CMAHO, explicou pra gente os nossos prazos. Augusto segura bastante o rojão, acho que sem ele o projeto teria degringolado. Tenho dito pras pessoas, é uma doideira fazer um livro coletivo. (mais…)