I PRÊMIO BAIXO MÉIER DE POESIA | VENCEDORES – Thiago Gallego

Thiago Gallego publicou “Canções para o fim do mundo” (7Letras/Megamini), dirigiu “Pequenos atos de desaparecimento” e é

Diva do Méier
Prêmio para poetas mais arrasantes, transantes, suingados e absurdos da pista, da noite e sonhos dos sonhadores

 

1. Tem gente dizendo que Thiago Gallego é o poeta mais desejado do Brasil. Como você se sente com essa premiação? É merecida?

TG: Fico muito lisonjeado e, pra ser bem honesto, no atual estado de coisas, me preocupo menos se é merecida e mais em poder colher os frutos. rs

2. Pergunta pra causar problema: se você pudesse, daria esse prêmio para quem?

TG: Sem qualquer dúvida dividiria entre Cristina Flores, Marcio Junqueira e Natasha Félix.

3. E essa boca aí, tá só beijando ou tá falando sobre arte também? Você tá com algum projeto novo (com poesia, com cinema) pela frente?

TG: Há algum tempo trabalhando no roteiro de um longa com outros 3 amigos e, a passos lentos, atualizando o blog do coletivo Bliss não tem bis, que é tocado junto com Clarissa Freitas, Lucas Matos e Marcinho supracitado.

Com relação a projetos próprios em poesia/cinema, bastante parado. Sou lento todavida pra assuntos pessoais e termino por administrar mal o tempo que sobra do trabalho formal. Tem sido uma questão. Mas existe vontade, seguimos tentando.

I PRÊMIO BAIXO MÉIER DE POESIA | VENCEDORES

lista definitiva dos premiados pelo i prêmio baixo méier de poesia
divulgada no dia 13 de dezembro de 2017
em cerimônia muito vulgar:

Dama do lotação:
(Prêmio para poetas que tematizam o caos, o baixio, a noite preta, o bicho pegando e a viração)
-> Ítalo Diblasi

Piriguetismo de guerrilha:
(Prêmio para poetas que tematizam o tesão, o corpo do prazer e safadeza que o povo gosta)
-> Adelaide Ivánova

Bonytos de corpo:
(Prêmio para poetas que têm a forma, os procedimentos e as máquinas do poema como parte fundamental de suas obras)
-> Josely Vianna Baptista

Diva do Méier:
(Prêmio para poetas mais arrasantes, transantes, suingados e absurdos da pista, da noite e sonhos dos sonhadores)
-> Thiago Gallego

Prazer total enriquecimento zero:
(Prêmio para editoras miúdas, corajosas e que apostam no autoral e em projetos editoriais ousados e que financeiramente estão sempre no fio da navalha)
-> Cozinha Experimental

iPoeta:
(Prêmio para poetas que performam online nas redes sociais e que enchem nossas vidas de interessância e brincadeira)
-> Ismar Tirelli Neto

Maior Poeta de Todos os Tempos:
(Prêmio para o poeta mais alto presente no recinto. Os poetas foram medidos com fita métrica)
-> Thadeu C Santos

Cágado de Ouro:
(Prêmio pelo conjunto da existência poética: trajetória, obra, suingue, peito aberto e pernas pra que te quero)
-> Guilherme Zarvos

Nos braços da massa:
(Prêmio surpresa para poetas que são aclamados pelo júri popular no dia da cerimônia)
-> Guilherme Zarvos

PROGRAMAÇÃO | NOVEMBRO 2017

Onde > Imperator, Méier, Rua Dias da Cruz, 170 – Sala de Exposições, 2º andar
Quando > Quartas-feiras | 19h30 – 21h30

01/11 > Roda temática de conversa e produção: ECONOMIA

08/11 > Roda temática de conversa e produção: RITUAL

15/11 > COMEÇANDO AS 16H > I Banquete Experimental de Poesia com Ricardo Aleixo e Laura Formighieri

22/11 >Roda temática de conversa e produção: TRANSPORTE

29/11 > Lanternagem: traga seus poemas com cópias pra gente discutir junto

PROGRAMAÇÃO | OUTUBRO 2017

OEP em outubro é Geral.

Em outubro seguimos dando uma geral, juntando geral, geral num braço só. Traz uma ideia, uma proposta, um texto, uma vontade. Pode ser culinária, mecânica, astrologia. Pode ser poesia também. Topa?

Onde > Imperator, Méier, Rua Dias da Cruz, 170 – Sala de Exposições, 2º andar
Quando > Quartas-feiras | 19h30 – 21h30

04/10 > Geral #05

11/10 > Geral #06

18/10 > Geral #07

25/10 > Geral #08

ENTREVISTA | O criZe, com Liv Lagerblad

por Andrea Streva

Andrea: Por que crise aparece no título do livro como substantivo masculino?

Liv: Para caracterizar a opressão do patriarcado enquanto presença quase que fisiológica e que vai minando desde dentro, mas é também um espelho do ambiente social, ou seja… do fora. Tem uma coisa que eu gosto do flusser onde ele diz “a poesia é o nitrato de prata do pensamento, viramos o espelho” e diz sobre a poeticidade da circunstância do masculino que eu aludo nesse título, no sentido de que seu reflexo passa a interessar pelo avesso, quero ser aquilo do que o espelho é feito. Mesmo que ao olhar o nitrato ele deixe de revelar o que antes refletia. O crise seria fraciona-lo em pequenos lampejos reluzentes, um mosaico desse espelho reflete toda a cisão de meu ego e seus fantasmas-fissuras, mas não tem compromisso em retratar o que quer que seja, não é um reflexo fiel.

Andrea: Como “o” crise atravessa seus poemas?

Liv: Vinha falando sobre isso. No caso do crise foi o motor inicial. O primeiro arquivo gerado teve uma intenção de auto-cura. Serviu para dispor a psique na frente dos olhos e selecionar o que interessa. Creio que boa parte do que eu fiz veio depois da crise, a parte mais trabalhosa, são os momentos em que edito o texto. Tento ser uma boa editora de mim mesma. Acho que saber lapidar a torrente bruta, que não pude considerar uma obra quando observei, foi o que eu tentei aprender com o crise. Mas não acho necessário que se tenha que passar por crise pra escrever, escrevi a vida toda, e isso me constituiu e me salvou inúmeras vezes antes e depois de ser diagnosticada psicótica. é parte de minha experiência, a psicose, então desponta no meu texto, isso de ter habitado uma realidade paralela é uma seara rica que tento explorar sem fidelidade aos enredos iniciais, mas escrevo e estou a maior parte do tempo, sã, ou medianamente sã, mas capaz de um sorriso funcional. digo medianamente sã porque a sanidade é um exercício diário pra mim, escrevo já há alguns anos com as vozes que escuto, e vou selecionando junto com minha poética os palpites que me vem inteiros na cabeça, aprendi com o texto a reverter o que até então foi patologizado ao meu favor. Sem tirar os méritos da química, claro. (mais…)

PROGRAMAÇÃO | SETEMBRO 2017

OEP em setembro é Geral.

Convivência, experimentação coletiva e confiança é o que a gente tá fazendo na Oficina Experimental de Poesia. Traz também o que você tem lido, de poesia, de pensamento, de culinária. Toda quarta-feira é dia de ler, fazer e pensar poesia no Méier. Topa vir na Geral, num braço só?

Onde > Imperator, Méier, Rua Dias da Cruz, 170 – Sala de Exposições, 2º andar
Quando > Quartas-feiras | 19h30 – 21h30

06/09 > Geral #01

13/09 > Geral #02

20/09 > Geral #03

27/09 > Geral #04

PEQUENA NOTA | o que você tem escutado ultimamente?

por Augusto Melo Brandão

faz um mês mais ou menos, a maria me contou que tinha acordado em uma casa sem paredes, piso ou teto. aparecia uma menina de outra cidade. tinha vindo pro rio estudar e queria um lugar pra morar. tem espaço? não tem não, tá cheio. a menina foi embora e a maria foi atrás, o pé na terra molhada de chuva. deu numa casa alta, murada, branca, vasos aqui e ali e a menina, um orixá. à época, eu tinha acabado de me mudar, cansado da espessura das paredes e da ausência de janelas. estou de frente para muitas janelas agora, e não uso cortinas. mas ainda alimento com água o meu barro, e me visto de branco às sextas, como a bárbara percebeu. semana passada, fazendo uma matéria sobre a stela, descobri que o museu bispo do rosário estava fechado, desde o encerramento da exposição das virgens em cardumes. um mestre me contou de sua época na secretaria de habitação, tornando antigos pavilhões em moradia, além do morar carioca também tem o minha casa minha vida, a juliano moreira é um lugar muito bom para projetos de habitação, tem espaço, disse. pensei na casa do bispo e da stela, e na ignorância daqueles seis minutos e meio de matéria. o rádio é uma coisa incrível. um antigo pai me contou da vez que a mãe dele deu santo só de ouvir o joãozinho da gomeia no rádio. pela idade, devia estar viva em 1938, ano da invasão extraterrestre nos EUA, sob a locução de orson welles. o parliament funkadelic tem uma música que pede pra que você deite no rádio e sinta a onda. funk not only moves, it can remove. o fotorio está com uma exposição sobre o wifi em cuba. em meio a tantos pierre vergers, a série é uma das poucas coisas valiosas da mostra. é difícil encontrar sorrisos em fotos antigas. porque sempre fazemos caretas em nossos documentos? ainda não pude ouvir maiakóvski cantando a plenos pulmões, e isso é algo possivelmente sem conserto. às vezes, tenho vontade de concertar coisas sem saber bem como. a ângela nunca conseguiu fazer uma dentadura parar dentro da boca, e consertou o santo umas três vezes. a ana, também. o lucas me diz que não dá para ignorar as máquinas, e que o ludismo foi uma nota de rodapé na história. enquanto ouço o rádio, penso em todas as máquinas que me alimentam: panela, peneira, pilão, forno de microondas, louça, barro, faca, geladeira e fogão, pia. me lembro dos vinis arranhados de anganga e converso com juçara e cadu. como escrever o que não tem livro? arranhando, eles dizem. outro dia, numa peça, um bicho doido se cortou. era uma cena de afogamento e ele se enroscava nas cadeiras, saiu uma perna e o prego bem no dedo dele. tinha uma cadeira de metal, dessas enferrujadas, da antártica, e ele fazia muitos sons com ela. as máquinas poderiam ser classificadas pelos sons que são capazes de repetir. as palavras têm essa função. sempre gostei de repetições e por isso era vidrado na programação da jb fm. algumas coisas são mais difíceis de consertar do que outras. um santo, por exemplo. o farnese de andrade consertava oratórios, e obtinha resultados estranhos. o bispo preferia desmontar tudo, antes de remontar. um som, por exemplo. uma batida sem conserto nas porteiras do corpo: ouvido, boca, nuca, pernas. para ouvir a bomba. outro dia, escutei que estava grávido. olhava para baixo, a barriga inchada de gravidez expandindo o maiô antes do mergulho. tinha acabado de me mudar.