Ademir Assunção

PEQUENA CRÍTICA | CHACINA NEVER STOPS

por Rafael Zacca

(Sobre alguns aspectos de A Voz do Ventríloquo, de Ademir Assunção.)

“O pior dos temporais aduba o jardim”. Com essa citação de “Ninguém vive por mim”, de Sérgio Sampaio, Ademir Assunção abre seu livro, A Voz do Ventríloquo (Edith, 2012). Essas palavras sugerem um desastre natural, uma catástrofe, para o sofrimento extremo, de onde surgirá o jardim. Para compreendermos esse jardim, devemos nos perguntar o que é este temporal e o que é este solo sobre o qual a torrente se derrama.

Um poema declara que “Chacina never stops” (“A chacina nunca para”) (p.17):

troia destruída, restam-nos
as ruínas de bagdá, chuva de mísseis,
capacetes made in united states
of america, mãos decepadas e olhares
que ainda miram lugar nenhum.

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