Júlia Hansen

OFICINA | Entrevista com Júlia de Carvalho Hansen

por Luiz Guilherme Barbosa

LEITURAS

Não apenas os poemas de Júlia de Carvalho Hansen ensaiam a proximidade com aquilo que, à falta de palavra mais precisa, chamamos de natureza, mas, com Seiva veneno ou fruto, não tem jeito, a sua voz arrasta coisas grandes, lê-se assim: “Minha vida foi parar em outra galáxia / e escrevo para resgatá-la”, ou “Procuro no vento / a consciência das plantas”, ou “Criar raízes é o mesmo que fazer órbitas”. O tamanho pequeno das letras dos poemas na edição de capa azul, poemas sem título todos, editados pela Chão da Feira, sugere a dimensão da letra. A leitura, orbitando o poema a cada verso no vaivém do olhar sobre a página, termina por se deparar com um último poema que logo começa: “Da palavra sair / habitar outros mundos”. Parece que as letras na página são pequenas na medida em que, quanto mais pequenas, mais propulsoras para fora da palavra. Por isso parece que esses poemas de Seiva veneno ou fruto convocam.

(mais…)