Nuno Ramos

PEQUENA CRÍTICA | “toda arte é uma conversão do defeito em linguagem” | Sobre Nuno Ramos

por Eduarda Moura

Das coisas ditas por Nuno Ramos, aquelas de que mais gostei foram as que tratavam de suas limitações. Numa entrevista, Nuno conta que, quando percebeu que compreendia muito menos do que lia quando estudava filosofia, entrou em crise com o texto. Daí o interesse pela matéria e pelas artes plásticas, mas também uma vontade de lidar com uma linguagem em que não possuía técnica alguma. Diferentemente da literatura, cuja linguagem lhe é mais familiar, tanto por ter tido um pai professor de literatura da USP quanto por escrever desde cedo, Nuno diz não saber nada sobre as técnicas tradicionais das artes plásticas. Embora quisesse possuir tais recursos, coloca em questão os saberes especializados quando declara que “toda arte é uma conversão do defeito em linguagem”. Essa afirmação, me parece, abre um caminho de experimentação bastante rico, já que a limitação não seria a impossibilidade de realizar o trabalho artístico, mas justamente sua força.

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