Rafael Zacca

PEQUENA CRÍTICA | CHACINA NEVER STOPS

por Rafael Zacca

(Sobre alguns aspectos de A Voz do Ventríloquo, de Ademir Assunção.)

“O pior dos temporais aduba o jardim”. Com essa citação de “Ninguém vive por mim”, de Sérgio Sampaio, Ademir Assunção abre seu livro, A Voz do Ventríloquo (Edith, 2012). Essas palavras sugerem um desastre natural, uma catástrofe, para o sofrimento extremo, de onde surgirá o jardim. Para compreendermos esse jardim, devemos nos perguntar o que é este temporal e o que é este solo sobre o qual a torrente se derrama.

Um poema declara que “Chacina never stops” (“A chacina nunca para”) (p.17):

troia destruída, restam-nos
as ruínas de bagdá, chuva de mísseis,
capacetes made in united states
of america, mãos decepadas e olhares
que ainda miram lugar nenhum.

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PEQUENA CRÍTICA | O AMOR E A QUEDA: CRÍTICA DE “O AMOR E DEPOIS”

por Rafael Zacca

O livro de Mariana Ianelli nos apresenta a imagem de um amor mítico. Qualquer coisa harmoniosa, ao abrigo da grande crise. Ainda assim, O amor e depois (2012) é um livro cristão, de um cristianismo antigo e enigmático, muito próximo do judaísmo. Mas não se engane: não se trata de salmos ao Senhor, nem de odes ao cristo. É cristão por nos contar a história da queda. Alguém provou da maçã, e então o mundo se tornou sofrimento, e devoração do tempo.

Um dia um fruto caído

O licor ungido na língua

O sangue fabricando amor

A morte é um escarlate súbito.[1]

[“Fruto Caído”, p.75.]

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