Augusto Melo Brandão

PROJETOS | CARAVANA ALMANAQUE 1

por Augusto Melo Brandão

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luís de camões. 5 h. Um grupo de fanáticos anônimos se reúne em uma sala branca. Alguns chegam, outros esperam a chegada, ninguém sabe o motivo da espera. Há poucos elementos capazes de constituir memória, com exceção talvez da brancura do espaço, quebrada apenas pelo vermelho plástico dos assentos. Ou quem sabe estou apenas de ressaca e não consigo prestar muita atenção. 5h30. tiradentes. Pessoa de botas, não anônima, entra na sala. Dispõe uma série de questões de fato e de direito, e retira-se rindo, sem que possa anotar seu nome. beco das putas, 0h. (mais…)

OFICINA | Parque de versões

por Luiz Guilherme Barbosa

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Steeplechase Park por volta de 1957

Consta que Lydia Davis preparou um índice remissivo composto por uma única linha: “Cristã, não sou”. Também não pareceu ser este o caso dos poetas publicados aqui enquanto os seus poemas aconteciam subvertendo de uma só vez dois mandamentos do Decálogo: pois furtaram versos, e deram falso testemunho dos versos roubados nos poemas novos. Um dia o personagem de uma novela que líamos em sala de aula numa turma do ensino médio soltou um palavrão – Caralho! – mas a aluna que lia em voz alta para a turma corou, se recusou a ler, disse que era cristã. E então houve o que houve: o respeito à sua posição, e a crítica à relação com a linguagem – ela, como todos da turma, leu impresso no papel o palavrão, que soou silenciosamente nas cacholas de cada um e de todos, e assim ninguém deixou de ver, ler e escutar em si mesmos o esporro de um palavrão cuja voz foi roubada. Às vezes tudo se resume às possibilidades do alfabeto: com ele se produzem mandamentos, palavrões e poemas. Acontece que (mais…)